Entrevista a Filipe Arujo de Egue e Cogumelo

Hoje nós temos a oportunidade de entrevistar Felipe Arujo, designer e sócio-fundador do estúdio Egue e Cogumelo com sede em Barcelona, Madrid e Tóquio. Egue e Cogumelo conta com profissionais do design, o design e a criatividade. Felipe explica como abordam os projetos e como são capazes de transformar a ideia do cliente em espaços conceituais, adaptados às suas necessidades, criando para cada caso, um estilo particular. Além disso, no final conhecemos um pouco mais sobre Felipe e o que você decore a alma ??
Projeto: Kazuo Suite, Casadecor 2015 (mais)
Quando começar a trabalhar em um novo projeto, quais são os primeiros passos? O que você olhar? Como começa o seu processo criativo?
Briefing!!! Exaustivo! Perguntamos muito e ouvimos com atenção ao cliente.
São eles os que melhor conhecem o que precisam, o seu estilo de vida ou a de seus clientes, suas preferências, seu produto. A informação é recolhida na forma de documentos gráficos (desenhos, esquemas, desenhos, fotografias de estado atual, de projetos semelhantes, mobiliário ou paletas de cores que o cliente considera interessantes), mas também na forma de dados: medidas, recursos, programa de necessidades, e assim por diante difícil de padronizar, já que depende em grande medida do projeto e o cliente. Depois, com todas essas informações nós pesquisamos: para a concorrência, projetos semelhantes anteriores, casos de sucesso e os fracassados. Investigamos a atividade a desenvolver nesse espaço, assim como as atividades complementares, análogas, e as subsequentes. Nesta fase, tudo pode ser um ponto de partida ou fonte de inspiração.
Durante o desenvolvimento do projeto, que utilizam fontes para inspiraros. Alguma recomendação?
Hoje em dia as fontes de inspiração são ubicuas. A avalanche de imagens a que estamos submetidos é tal que é difícil determinar uma única fonte. A nível visual cada quem no seu escritório tem suas próprias fontes: há alguns que seguem determinados blogs, outros que carregam dois painéis do Pinterest, e outros que são especialistas em fazer pesquisas muito produtivas no Instagram. Não obstante, a inspiração às vezes surge de filmes, livros, férias ou a bagagem cultural de cada um. Nossa recomendação é manter viva a curiosidade.
Quais são as chaves que devemos ter em conta à hora de começar a decorar um novo espaço ou ambiente?
1.- Ouvir o cliente e atender a suas necessidades e estilo de vida.
2.- “Ouvir” o próprio espaço, o que tem sido, a sua estrutura e/ou acabamentos originais, o que se pede: o que você precisa para ser restaurado ou recondicionado para um novo uso.
3.- Ter um orçamento claro, colocar restrições técnicas e econômicas. Trabalhar com total liberdade é o mais complicado. As limitações nos guiam.
4.- Testar muitos caminhos, trabalhar muito e descansar. Voltar atrás e reavaliar. Contrastar com o cliente periodicamente. Ser flexível e repensar. Detalhar.
Projeto: moradia em Alverca (mais)
O que é que vocês estão trabalhando agora? quais são os seus projectos tendes entre as mãos?
Estamos trabalhando em vários projetos interessantes. Todos muito díspares.
Por um lado, temos 4 casas: 2 familiares e 2 de casais jovens. 2 bem grandes e duas pequenas. 2, em Barcelona, e 2 fora. Por outro lado, continuamos a explorar o design gráfico está vez por ocasião de nosso décimos espaço consecutivo em Casa Decor, que este ano fazemos da mão de Hp. E por último, por fim, parece que vamos ver concretizado um projeto com o qual viemos sonhando há muito tempo: A realização de projetos de interiores social para instituições de caridade.
Quais são as tendências que vedes agora mais patentes? o que os identifica? qual é o seu estilo, o que mais os define?
O das tendências é, atualmente, interessante, engraçado e difícil de determinar. Se bem antes de cada tendência era claramente predominante durante alguns anos, para depois dar lugar a uma nova, que o contradizia, agora mesmo as tendências mais opostas coexistem e se hibridan. Por exemplo, hoje vemos como o estilo industrial de há uns anos, que costumava ser muito duro, frio ou fabril, viu-se influenciado pela recuperação de um estilo art deco repensado, salpicándolo todo de brilhos metálicos, espelhos e veludo. Combinações de estilos anteriormente impensáveis hoje são avaliadas como de grande sofisticação. Hoje podemos ver “animal print” sobre um tartan escocês, sem que ninguém escandalice.
A título pessoal, quer a nível do escritório gostamos de pensar que não temos um estilo específico, mas o que sabemos adotar o estilo que o cliente exige, para cada projeto. Não obstante, é verdade que é possível encontrar constantes na maneira como resolvemos os encargos, ainda que estas constantes têm mais que ver com o espaço do que com a decoração e o estilo. Por exemplo, tendemos a integrar estadias, para evitar divisórias opacas, a favorecer a luz natural, a iluminação arquitectónica, a recuperação de determinados elementos estruturais
Projeto: uma casa de livro (mais)
Felipe Arujo
Quer conhecer um pouco mais sobre quem responde? Felipe Arujo nos conta mais sobre seus gostos pessoais e o que você decore a alma:
Uma cor: o próprio do material.
Um estilo: o do cliente, ou o cliente do cliente.

Um decorador de interiores, designer ou arquiteto: Porque ficar com um, se há tantos e tão bons colegas?
Uma peça de arte ou design): vítor… não sei… para não cair em tópicos e trazer algo que talvez muitos dos leitores não familiarizados, vou falar de algo que vi relatado há pouco tempo e achei muito interessante: os projetos de cestaria artesanal “makiritare” dos índios Yekuana do meu país (Venezuela): surpreendentemente “moderno”, geométrico, monocromático… muito versátil e pouco visto.
Uma cidade: Barcelona, aqui trabalhamos, temos nossas casais, e a partir daqui é fácil viajar para muitas outras cidades magníficas.
Um livro: O ano passado eu li “oração, horse with hideous men”, de David Foster Wallace (…) um livro desconfortável e difícil que contém histórias muito diferentes que, no entanto, é emocionante, interessante, repugnante ou engraçado de acordo com a página por onde se pegue. É raro um livro com tantos registros e que te faça transitar por tantas emoções.
Um filme: “Her”, de Spike Jonze. As que tive oportunidade de ver nos últimos anos este filme eu continuo a achar muito sugestivo. Do ponto de vista estético, a moda e o design de interiores, também é muito interessante.
Uma música: Somos mais de “playlist” super ecléticos… se reirías de ouvir o que pode chegar a parecer uma manhã qualquer um no escritório. Desde o mais “indie” o mais indi-gesto. Do pop, podemos passar para a ópera e, depois, a cumbia, mais eletrônica ou lugares.
Um prato: nenhum poderia comê-lo sempre. Por isso não me atrevo a ficar com um. Eu gosto de quase tudo que NÃO seja light, “zero”, descafeinado, com baixo teor de gordura ou sal. Dê algo tem que morrer!
Um conselho: Não aconselhar a quem não o tenha pedido. É super irritante. Hoje em dia parece que a gente não tem outra coisa a fazer do que estar aconselhando o mundo em pessoa ou através da RRSS: Que se os “10 benefícios do running”, os “10 hábitos dos casais felizes”, as “5 regras de ouro do bom comer”, “8 dicas para criar filhos felizes”… Meus amigos do FB devem ser todos tão sábios… que chato!
Entrevista a Filipe Arujo de Egue e Cogumelo